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terça-feira, 1 de junho de 2010

Sal: O Mal do Século

Ao ser colocado na boca, o sal é dissolvido instantaneamente na saliva e logo se espalha pelas 10 000 papilas gustativas localizadas na superfície da língua. Uma ínfima porção dele (0,1% do total) é transformada em impulsos elétricos e segue em direção ao cérebro. Lá, ele é reconhecido pelo organismo. Os 99,9% restantes são engolidos, passam pelo estômago e pelos intestinos, onde estimulam a produção de substâncias envolvidas no processo digestivo. Só então, uma hora depois de ter sido ingerido, ele cai na corrente sanguínea para finalmente cumprir seu papel principal: o de regular a pressão arterial. O sal é o mineral com o maior número de funções no organismo. "Sem ele, não haveria apetite para boa parte dos alimentos, o processo de digestão seria incompleto e o sangue extravasaria pelas paredes dos vasos", diz Renato Sabbatini, neurofisiologista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para que todos esses mecanismos ocorram à perfeição, basta 1,2 grama diário de sal. É um volume equivalente ao contido, por exemplo, em cinco azeitonas ou em três nuggets ou ainda em apenas um pão francês e meio. É muito pouco sal, no entanto, para o paladar que desenvolvemos na sociedade industrial. Por isso, o limite aceitável nas cartilhas médicas foi elevado para até 6 gramas diários. "Trata-se de uma quantidade compatível com o gosto e tolerável à saúde", explica Décio Mion, nefrologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo. O problema é que a maioria das pessoas tem o hábito de consumir muito mais do que 6 gramas. Não importa a cultura ou a classe social, abusa-se do saleiro. Em média, a ingestão mundial de sal per capita é de 10 gramas diários. Os brasileiros, em particular, ingerem inacreditáveis 12 gramas ao dia.

A partir desta semana, as recomendações médicas devem ficar ainda mais restritas, com a entrada em vigor das novas diretrizes das sociedades brasileiras de cardiologia, nefrologia e hipertensão. Elas passarão a preconizar o consumo de, no máximo, 5 gramas de sal por dia – o mesmo limite sugerido pela Organização Mundial de Saúde em 2005. A diferença de 1 grama entre a cartilha de 2006 e a de agora pode parecer irrisória. Mas tem uma repercussão enorme na saúde. Um estudo publicado em fevereiro passado, na revista científica americana The New England Journal of Medicine, determinou o impacto de tal redução. Passar a consumir 5 gramas de sal todos os dias, em vez de 6, evita 10% das mortes por doenças cardiovasculares, sobretudo infarto e derrame. O que representa, em termos globais, em torno de 1 milhão de vidas salvas anualmente. "Os benefícios aumentam proporcionalmente à quantidade reduzida", diz o cardiologista Marcus Bolívar Malachias, presidente do departamento de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

O sal começou a aparecer nas diretrizes médicas a partir dos anos 80, quando a Associação Americana do Coração relacionou o consumo excessivo do mineral a um aumento nos riscos de hipertensão, doença responsável por 54% das mortes por derrame e 47% dos óbitos por infarto. Descobriu-se que, depois da genética, o excesso de sal é o fator de maior influência para a pressão alta. Em exagero, além de ter ação vasoconstritora, o mineral aumenta o volume de sangue circulante pelas artérias, agredindo a parede dos vasos. A lesão, por sua vez, facilita o depósito de gorduras e reduz a síntese de substâncias vasodilatadoras. Com isso, as artérias enrijecem e têm seu calibre diminuído. A pressão arterial, então, sobe. O ideal é que ela não ultrapasse a marca dos 12 por 8. O primeiro número equivale à força do fluxo de sangue contra a parede dos vasos, quando o músculo cardíaco se contrai e bombeia sangue para o resto do organismo – é a pressão sistólica, ou máxima. O segundo número refere-se à medição no momento em que o coração relaxa e se enche de sangue – é a pressão diastólica, ou mínima. A partir de 14 por 9, o quadro é de hipertensão. No Brasil, 30% dos adultos estão doentes – o que representa cerca de 30 milhões de homens e mulheres. Em oito de cada dez desses casos, a hipertensão é produto de uma combinação de múltiplos fatores – e o consumo excessivo de sal é um aspecto preponderante. "Entre outros fatores de risco para a doença, estão obesidade, sedentarismo e stress", diz o ne-frologista Varujan Dicht-che-kenian, do Hos-pital das Clínicas, de São Paulo.

O agente pernicioso do sal é o sódio. Para cada grama do mineral, há 400 miligramas de sódio – os 60% restantes são de cloro, um composto praticamente inócuo. Cerca de 70% do sal consumido atualmente provém dos produtos industrializados. É o chamado "sal invisível". Os rótulos de tais produtos não informam a quantidade de sal, e sim a de sódio. Além disso, não se faz a discriminação entre o volume de sódio contido naturalmente no alimento e o acrescentado pela indústria. O sódio é utilizado em abundância sobretudo para a conservação dos produtos. "Como ele tem um grande poder de absorção, desidrata facilmente fungos e bactérias que poderiam estragar os alimentos", diz a nutricionista Maria Cecilia Corsi, da consultoria em nutrição Essencial Light. Quanto maior o prazo de validade de um produto, maior é a quantidade de sal utilizada no seu preparo. Há ainda outro dado. "O sal camufla o gosto dos ingredientes que deram origem ao produto", diz o nutrólogo Daniel Magnoni, do Hospital do Coração. Ou seja, quanto maior a quantidade de sal, menor será a qualidade das matérias-primas empregadas na fabricação do alimento e, consequentemente, menor será o seu preço. Pode fazer o teste. Escolha duas marcas de molho de tomate. Uma com um prazo de validade maior do que o da outra. O gosto do tomate estará mais ressaltado no molho mais caro e com prazo de validade mais curto.

Por pressão das entidades médicas e das organizações de consumidores, a indústria alimentícia vem mudando seu modo de trabalhar. Em 2008, a Unilever, por exemplo, grupo anglo-holandês com 400 marcas de alimentos, deu o primeiro passo rumo à redução de sódio. Desde então, 60% de seus produtos perderam 5% de sódio. Recentemente, a empresa americana Heinz anunciou que, até o fim de julho, pretende diminuir a quantidade de sódio em 15% na fórmula de seu ketchup. No início do ano, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, lançou uma campanha para estimular os restaurantes a reduzir em um quarto a quantidade de sódio de seus cardápios até 2014. Desde o fim dos anos 90, já estão disponíveis no mercado os "sais light", cujos teores de sódio são até 25% menores do que os do sal tradicional.
Fonte: www.veja.com por Adriana Dias Lopes

sábado, 15 de maio de 2010

Mitos sobre a Ração Humana

A ração humana está na moda, na mídia, caiu no agrado popular... “Quase um milagre nutricional”.

A tal mistura se diz capaz de regularizar o intestino, melhorar a disposição, combater a flacidez, prevenir os sintomas desagradáveis da menopausa, prevenir o aparecimento de doenças do coração e do câncer, além de inibir a absorção de gorduras, reduzir o colesterol e, ainda por cima, emagrecer... Será?

Infelizmente, todas essas alegações são equivocadas. A mistura apenas consegue melhorar o ritmo intestinal devido às fibras em sua composição.

Entretanto, se quisermos que o nosso intestino funcione bem, podemos alcançar “os tais benefícios da ração humana” de uma forma mais adequada: aumentando as pequenas porções de fibras em cada refeição, ou, simplesmente comendo um cereal matinal.

Além disso, sempre que ingerimos mais fibras, precisamos contar com uma adequada hidratação, ou as fibras poderão agravar a constipação intestinal.

A prevenção de doenças requer muito mais do que uma ou várias colheres de sopa de ração humana por dia. Talvez seja essa, a nossa maior ressalva à repercussão causada por práticas alimentares simplistas, como o uso dessa mistura, ou até mesmo da linhaça, que passam às pessoas a falsa idéia de que estes alimentos sozinhos são capazes de garantir saúde e emagrecer.

Esta “falsa promessa” e outros tantos “falsos milagres” impedem que as pessoas se empenhem em assumir comportamentos alimentares adequados, esses sim, são sabidamente eficazes na prevenção de doenças e na preservação da saúde e do peso ideal, apesar de mais difícil de serem implementados e seguidos.
 
fonte: UOL blog

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Café da manhã: ele é importante para o seu filho



Seu filho não toma café da manhã todos os dias? Fique atenta. Estudos têm mostrado que o hábito de não fazer essa refeição aumenta o risco de a criança ter sobrepeso, uma vez que, ao pular o café, ela exagera na seguinte, consumindo também mais calorias e gorduras.
Uma pesquisa realizada no site CRESCER constatou que 71% das crianças não se alimentam antes de ir para a escola. Já um estudo australiano mostrou que 42% das crianças saem de casa um ou mais dias com o estômago vazio. Segundo Celso Cukier, nutrólogo do Hospital Albert Einstein (SP), os estoques de glicose no organismo começam a reduzir a partir de três horas de jejum. Assim, depois de uma noite de sono, é provável que seu filho tenha ficado em média 8 horas sem se alimentar. “Com a atividade física na escola, e a falta de comida, há risco de a criança ter hipoglicemia [baixo nível de glicose no sangue]. Tontura, náusea e até desmaios podem aparecer”, diz. Além disso, a criança pode ter alteração no humor e dificuldade para se concentrar.
Mãos à obra
Se o seu filho não tem costume de se alimentar pela manhã, é hora de mudar esse hábito. “Em primeiro lugar, explique para a criança por que essa refeição é fundamental. Além disso, os pais precisam insistir, de forma amigável, para que o filho coma alguma coisa”, afirma Celso.
Você pode oferecer um leite com achocolatado ou batê-lo com uma fruta de que ele mais gosta. É importante também incluir um cardoidrato nessa refeição. Lembre-se que você é o exemplo: as escolhas e os hábitos da criança dependem muito do que elas vêm os pais fazer e comer.
Está faltando tempo pela manhã? Uma dica é deixar a mesa do café preparada na noite anterior e pedir ajuda do seu filho. Faça com que esse momento seja um encontro saudável da família e sem pressa. Comer correndo desestimula. Para ajudar você, confira abaixo nossas dicas para a primeira refeição do dia da criança:

Segunda-feira: leite com cerais e pão de fôrma com requeijão
Terça-feira: suco de laranja lima e pão de queijo
Quarta-feira: leite com chocolate e pão com queijo branco
Quinta-feira: leite batido com fruta e pão com requeijão
Sexta-feira: suco de frutas e biscoito de água e sal com requeijão

Revista Crescer

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